Se duas pessoas que pretendem viajar de carro partem de um lugar comum em direção ao mesmo destino, por que não dividirem os custos dessa viagem? A ideia, tão simples, já foi posta em prática pela plataforma BlaBlaCar, à disposição dos brasileiros desde o final do ano passado.
Criada em Paris, na França, em 2006, a comunidade de viagens compartilhadas tem o objetivo de conectar condutores e passageiros. Está presente em 22 países e desembarcou por aqui em 30 de novembro de 2015. Em apenas quatro meses, já contabilizou 16 mil rotas em solo brasileiro.
Funciona da seguinte forma: por meio do aplicativo, disponível para os sistemas Android e iOS de forma gratuita, ou pelo site, aquele que tem carro faz um cadastro, anuncia que pretende ir para determinada cidade em uma data específica e pede uma contribuição para o carona. Na outra ponta, quem também deseja ir para este lugar faz a busca e encontra a oferta. O condutor, então, aprova ou não o pedido de carona, o que pode ocorrer de duas formas – manual ou automática. A primeira é feita através de análise do perfil, enquanto a segunda se dá na base da confiança. O habitual é que as primeiras viagens sejam aprovadas manualmente até que o condutor se sinta confortável e passe a aceitar o processo da segunda forma.
De acordo com o diretor da BlaBlaCar no Brasil, Ricardo Leite, o objetivo da plataforma não é ser fonte de renda, e sim ser um facilitador de encontros para viagens. Por isso, existem algumas restrições. “Colocamos um limite máximo no preço, que é de 50% a mais que o sugerido por nós. Isso para garantir que não haja lucro.”
Tomando o Grande ABC como ponto de partida, uma viagem de São Bernardo para Santos pode sair até R$ 7 para cada passageiro. De São Caetano para Campinas, o custo chega a R$ 15, enquanto de Santo André ao Guarujá se pode gastar apenas R$ 10. Tudo isso depende do número de assentos oferecidos – no máximo quatro –, modelo do carro, acordo firmado entre as partes etc.
Leite ressalta ainda que, apesar da economia feita para ambos os lados, o que mais vale é a experiência social. “Eu, por exemplo, fui de passageiro para o Rio de Janeiro no último feriado usando BlaBlaCar. O condutor era um professor de geografia e trocamos muitas histórias ao longo do caminho. Se não fosse pela plataforma, não sei quando teria conhecido alguém que exerce essa profissão. As pessoas que utilizam o serviço são bem diversas”, afirma. “Fizemos uma pesquisa com 18 mil condutores de vários países e perguntamos porque eles usavam o BlaBlaCar. O que entendemos foi que o fator inicial era a economia. Porém o que de fato faz com que essas pessoas permaneçam é contato social, a oportunidade de conhecer pessoas, realidades diferentes e fazer amigos”, completa.
No sistema, é possível escolher preferências de conversa, desde "Bla", para pessoas que falam menos, até "BlaBlaBla", para aqueles que conversam bastante. Mulheres também podem optar por viajarem somente com outras mulheres. Após as viagens, fica disponível um sistema de avaliação, para que os membros contem suas experiências.
A princípio, os esforços de comunicação estão focados nas regiões Sul e Sudeste, mas os planos são expandir em breve para as outras regiões do País. Para o segundo semestre deste ano, a empresa pretende organizar eventos para conhecer melhor seus membros e entender suas dificuldades a fim de melhorar o sistema. “Além disso, existe um time em Paris que está sempre desenvolvendo nosso app. Ao longo do ano haverá várias funcionalidades novas, mas ainda não temos prazos definidos”, diz o diretor da marca no Brasil.
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